Internacional (texto integral)

Definições, incidência e causas da violência nos nossos países

 

Definição

Definir o conceito deviolência é uma pré-condição importante quando se discutem a suaprevalência, as causas e implicações para a intervenção e a prevenção.Torna-se especialmente importante no contexto de discussões e projectosinternacionais, nos quais as percepções acerca da violência sãoinfluenciadas pela cultura e a história, a língua e do sistemaeducativo.

"Violência" é frequentemente confundida com outrostermos que descrevem fenómenos semelhantes como "maus tratos entreiguais/bullying" ou "agressão". Enquanto que, nalgumas definições, ofoco é a violência física, outras incluem também violência verbal epsicológica. A abordagem da violência segundo diferentes perspectivasdisciplinares apresenta-se controversa (Schäfer & Korn, 2000).

Duas definições de violência geralmente aceites a nível internacional, são as de Olweus e da Organização Mundial de Saúde (OMS):

Olweus(1999, p. 12): A violência é "o comportamento agressivo em que o autorou perpetrador utiliza o seu próprio corpo ou um objecto (incluindo umaarma) para provocar danos (relativamente graves) ou desconforto noutrapessoa ".

OMS (1999, p.2): "O uso intencional, efectivo ou sob a forma de ameaça,de força física ou poder, contra si-próprio, contra outra pessoa, grupoou comunidade, do qual resulte, ou possa resultar com grandeprobabilidade, dano físico ou emocional, morte, perturbação dodesenvolvimento ou privação".

Quando falamos de violência na escola, o termo bullying ou o seuequivalente noutras línguas é habitualmente utilizado (Finlandês:"koulukiusaaminen", Dinamarquês: "mobbe", Alemão: "Mobbing", Português:"maus tratos entre iguais").

Olweus (1993, p. 9) estabelece a seguinte definição geral de maus tratos entre iguais:

"Um estudante é agredido ou vitimizado quando é exposto repetida efrequentemente a acções negativas por parte de um ou mais colegas seus."

Até mesmo esta abrangente e genérica definição não inclui todo oconjunto de actos violentos (ex.: não menciona actos violentos ouagressivos da parte de professores contra alunos.

No entanto, no projecto VISIONARY, aceitamos esta definição de Olweus,uma vez que é suficientemente ampla para unir as diferentesperspectivas dos nossos países e é um bom ponto de partida para odesenvolvimento de discussões acerca da violência na escola, dos maustratos entre iguais e a sua prevenção.

Prevalência

Como referimos na secção "definição", há grandes diferenças no modo como a violência é definida. Em alguns estudos, o termo nem sequer é definido. Além disso, têm sido utilizados diferentes instrumentos e métodos na recolha de dados. Todas estas diferenças permitem apenas comparações limitadas entre a informação dos diversos países.

Todas as semelhanças e diferenças que serão referidas nesta secção devem ser vistas como tendências e interpretadas com precaução.

Na Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Portugal e Reino Unido observam-se as seguintes tendências comuns (para detalhes comparar as secções nacionais):

  • Se bem que a violência, particularmente os maus tratos entre iguais, seja vista como uma parte "normal" da vida escolar, ocorrem, muito raramente, situações violentas graves.
  • A forma típica de violência na escola é a agressão verbal.
  • A maioria dos estudos indica um aumento da violência desde meados da década de 80 ao início da década de 90.
  • O aumento da violência na escola é menor do que aumento da violência juvenil em geral.
  • Em todos os nossos países, a violência juvenil está a tornar-se cada vez mais visível nos media.

 

Causas

Em todos os nossos países, numerosos estudos revelam que tanto desenvolvimento violento e do comportamento que põe os alunos em risco de se tornarem vítimas não se relaciona com uma única causa, mas com numerosas causas que interagem de uma forma complexa.

As seguintes causas são geralmente associadas ao desenvolvimento de comportamento violento (para detalhes comparar as secções nacionais):

  • violência parental,
  • a família é francamente desfavorecida (pais desempregados ou dependentes do apoio da Segurança Social)
  • modelo de educação familiar inconsistente
  • baixo nível de instrução
  • necessidade de estímulo elevada
  • baixo nível de autocontrole
  • inserção em grupos de pares violentos e pressão social
  • exclusão social dos imigrantes
  • influência dos media

As causas seguintes têm sido associadas com a probabilidade de se tornar vítima:

  • modelo de educação familiar rígido
  • isolamento e falta de popularidade na turma
  • baixo nível de autoconfiança e maior tendência para a depressão
  • comportamento mais defensivo
  • menor número de amigos.

 

Referências bibliográficas

Olweus, D., (1999), Sweden. In P.K. Smith et al. (eds),The Nature of School Bullying: A Cross-National perspective. London: Routledge.

Olweus, D., (1993), Bullying at school. What we know and what we can do. Oxford: Blackwell.

Pfeiffer, C., (1998), Trends in Juvenile Violence in European Countries. Download: http://www.ncjrs.org/pdffiles/fs000202.pdf

Schäfer, M. & Korn, S., (2001), Tackling violence in schools: A report from Germany. Download: www.goldsmiths.ac.ac.uk/connect/reportgermany.html

World Health Organisation, (1999), " WHO information series on School Health ", Document 3, WHO, Geneva.


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