Definição, incidência e causas da violência na Alemanha
Thomas Jäger
Na Alemanha, como noutros países, não há acordo na definição do que é exactamente a violência. O termo "violência" é, muitas vezes, confundido com outros termos que descrevem fenómenos semelhantes, como "bullying" (maus tratos entre iguais) ou "agressão". Alguns estudos nem sequer definem violência, usando um conceito abrangente que inclui vários subtipos, como a violência física, a pressão verbal, vandalismo, abuso sexual ou até a violência estrutural.
Schäfer e Korn (2000) assinalam que a definição do termo "violência" depende muito da perspectiva disciplinar em que o estudo se situa. Na perspectiva psicológica, a violência é vista como um subconjunto da agressão, enquanto que na perspectica das Ciências da Educação a agressão é vista como um subconjunto da violência (cp. Vieluf, 1993). Em estudos sociológicos e criminológicos, a violência é considerada como uma forma de comportamento desviante.
No dia a dia a "violência" é geralmente associada a agressões físicas ou a actos criminosos. Quando questionados sobre quais as acções que consideram como violência, os gestores escolares, professores, alunos e pais referem em primeiro lugar agressões físicas, ameaças com armas, a extorsão e vandalismo. Enquanto cerca de metade dos professores e dos gestores escolares consideram a agressão verbal como violência, apenas 30% dos alunos e pais a consideram do mesmo modo.
Nos últimos anos os termos "bullying" ou "mobbing" (maus tratos entre iguais) têm sido mais frequentemente usados nos debates acerca da violência na escola. Bullying descreve um fenómeno que só em parte coincide com a violência na medida em que foca principalmente as actividades de grupo. Algumas pessoas consideram-no como um subgrupo particular de violência. Uma definição bullying é:
"Um aluno é agredido ou maltratado por iguais quando é repetidamente exposto a actos negativos por parte de um ou mais colegas. Actos negativos podem cometidos verbalmente (ameaçar, troçar, etc.), por contacto físico (bater, empurrar, etc.) ou sem qualquer forma verbal ou contacto físico (gestos, exclusão do grupo, etc.). O termo bullying não é usado quando dois alunos, física e psicologicamente semelhantes, lutam ou discutem entre si. É essencial que exista um desequilíbrio das forças ou uma assimetria de poder.". (Hanewinkel & Knaack, 1997: 34).
Como foi referido em "definição", um dos problemas com a investigação desenvolvida na Alemanha sobre a violência nas escolas é a da inconsistência da sua definição. Numerosos estudos têm sido realizados, nos últimos alunos, representativos do problema em diferentes cidades e regiões do país. Como estes estudos têm usado diferentes instrumentos e se têm baseado em diferentes definições é difícil estabelecer-se uma comparação entre eles.
Há resultados contraditórias relativamente à incidência da violência nos últimos anos. Isto é particularmente evidente quando se comparam estudos acerca da violência na escola com estudos sobre a violência juvenil em geral. No que diz respeito à violência nas escolas alguns estudos afirmam que tem havido um pequeno aumento da violência (Tillmann et al.) enquanto outros não reconhecem qualquer mudança significativa ao longo da última década (Wenzke, 1997). No que respeita à violência juvenil, a maioria dos estudos indica um aumento em meados dos anos 80 ou início da década de 90, não só na Alemanha, mas por toda a Europa. Particularmente as estatísticas policiais indicam um grande aumento, embora estes resultados reflictam, em parte, um aumento da preocupação por registar a delinquência juvenil. As estatísticas também podem ser parcialmente influenciadas por outros factores como, mudanças nas definições jurídicas de violência, maior atenção por parte dos media (tornando as pessoas mais sensíveis ao problema) ou até o aumento do uso de computadores pela polícia (Smith, 1999; Oswald, 1999).
Algumas tendências gerais podem ser identificadas a partir de vários estudos:
"A ocorrência de crimes é muito rara e, actualmente, não é típica da violência nas escolas." (Fuchs et al, 1996, p.9; cp. Schäfer, 1996)
"A violência juvenil é um fenómeno masculino; a predominância de jovens violentos do sexo masculino tem aumentado fortemente desde meados dos anos oitenta." (Pfeiffer & Wetzels, 1999; p.13)
O comportamento violento na escola é mais comum no grupo etário dos 13 aos 15 anos, e em turmas de 8º e 9º ano (Tillmann, 1997).
"A forma típica de violência nas escolas alemãs é a violência verbal" (Schäfer, 1996)
"Os actos de violência juvenil registados pela polícia não se tornaram mais graves nos últimos anos; efectivamente, em média, a gravidade dos actos tem vindo a diminuir (Pfeiffer & Wetzels, 1999; p.4).
Em escolas com baixos níveis de desempenho, verifica-se uma taxa mais elevada de violência juvenil. O comportamento violento é mais frequente em Escolas Especiais (Sonderschule) enquanto que é significativamente menos frequente nos Gymnasiums.
A violência juvenil é normalmente atribuída a pessoas com baixos níveis de escolarização e com uma situação social caracterizada por relativa pobreza, com fracas perspectivas de carreira e baixo nível de inserção social (Pfeiffer & Wetzels, 1999).
Os níveis de violência praticados por jovens imigrantes são maiores do que em alunos de origem alemã. Esta situação reflecte uma deficiente integração das minorias (Pfeiffer & Wetzels, 1999).
"Jovens que tenham sido vitimas de agressão ou abuso pelos seus pais, quando crianças ou adolescentes, apresentam frequentemente maior tendência para serem violentos do que aqueles que nunca foram alvo deste tipo de agressões familiares. (Pfeiffer & Wetzels, 1999, p.11)
"Ser membro de um grupo social com tendência para agir com violência é mais um factor (...) que aumenta o risco de um jovem ser violento" (Pfeiffer & Wetzels, 1999, p.17)
Na Alemanha, como noutros países, numerosos estudos revelam que o desenvolvimento do comportamento violento não se relaciona com um simples factor, mas com múltiplos factores que interagem de uma forma complexa. Nos estudos germânicos foram detectadas as seguintes causas de comportamento agressivo e violento (compare Schäfer & Korn, 2001; Pfeiffer & Wetzels, 1999, Reinders, 1998, Funk, & Passenberger, 1997):
Família
Escola
Personalidade
Outros
As investigações que incidem sobre o estudo das vítimas revelam as seguintes causas que, igualmente, interagem de uma forma complexa, o que aumentoa a probabilidade de ser vitimizado (Lösel, Bliesener & Averbeck, 1997, Rostampour & Melzer, 1997, Tillmann, K.-J., 1997):
Família
Escola
Personalidade
Outros
Bibliografia
Funk, W. & Passenberger, J., (1997), Determinanten derGewalt an Schulen. In Holtappels, H. G. , Heitmeyer, W., Melzer W.,& Tillmann K.J., (Hrsg.). Schulische Gewaltforschung. Stand undPerspektiven (S. 243-260). Weinheim: Juventa.
Hanewinkel, R. & Knaack, R., (1997). Mobbing: Gewaltpräventionin Schulen in Schleswig-Holstein. Kronshagen: LandesinstitutSchleswig-Holstein für Praxis und Theorie in der Schule (IPTS).
Lösel, F., Bliesener, T. & Averbeck, M., (1997). Erlebens- undVerhaltensprobleme von Tätern und Opfern. In H. G. Holtappels, W.Heitmeyer, W. Melzer & K.4. Tillmann (Eds.), Forschung über Gewaltan Schulen. Erscheinungsformen und Ursachen, Konzepte und Prävention(pp. 137-153). Weinheim: Juventa.
Oswald, H., (1999). Steigt die Gewalt unter Jugendlichen? In:Schäfer, M. / Frey, D. (Hrsg.) Aggression und Gewalt unter Kindern undJugendlichen. Hogrefe).
Download: mobbingzirkel.emp.paed.uni-muenchen.de/secure/ressourcen/data/oswald1.pdf
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Download: www.kfn.de/fb76.pdf
Reinders, (1998), Violence in schools. National activities, programmes and policies - Germany.
Download: europa.eu.int/comm/education/violence/docs/de-en.pdf
Rostampour, P. & Melzer, W., (1997). Täter-Opfer-Typologien imschulischen Gewaltkontext. Forschungsergebnisse unter Verwendung vonCluster-Analyse und multinominaler logistischer Regression. In: H.G.Holtappels, W. Heitmeyer, W. Melzer & K.J. Tillmann (Hrsg.)Forschung über Gewalt an Schulen. Erscheinungsformen, Ursachen undPrävention (169-190). München: Juventa.
Schäfer, M., (1996). Aggression unter Schülern. Report Psychologie 21, (9/96), 700-710.
Download: mobbingzirkel.emp.paed.uni-muenchen.de/secure/ressourcen/data/aggres1.pdf
Schäfer, M. & Korn, S., (2001), Tackling violence in schools: Areport from Germany.http://www.goldsmiths.ac.ac.uk/connect/reportgermany.html
Schwind, H.D., Citlak, S., Gielen, B., Gretenkordt, M., Raum, U.& Roitsch, K., (1995), Gewalt in der Schule - am Beispiel vonBochum. Mainz: Weißer Ring.
Smith, P.K., (1999). Aggression und Bullying in Schulen. In:Schäfer, M. / Frey, D. (Hrsg.) Aggression und Gewalt unter Kindern undJugendlichen. Hogrefe.
Download: mobbingzirkel.emp.paed.uni-muenchen.de/secure/ressourcen/data/Smith1.pdf
Tillmann, K.-J. (1997). Gewalt an Schulen: öffentliche Diskussionund erziehungswissenschaftliche Forschung. In H.G. Holtappels, W.Heitmeyer, W. Melzer & K.J. Tillmann (Hrsg.) Forschung über Gewaltan Schulen. Erscheinungsformen, Ursachen und Prävention (11-27).München: Juventa. (11-27)
Outros textos básicos
Stein, R., Gewaltprävention in der Grundschule. www.isl.uni-wuppertal.de/gsnew/stein.html
Jugend und Gewalt, (1994), Erscheinungsformen und Ursachen Berichtder Bayrischen Staatsregierung. Ausführliche Ausführungen zu Ausmaß,Erscheinungsformen und Ursachen von Gewalt. www.stmukwk.bayern.de/jugend/bericht/teil1/index.html
Wehr, H., (1996), Gewalt-Prävention in der Schule.Vortragsmanuskript und Schilf-Material. www.ph-heidelberg.de/org/phb/gewpraev.htm